sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Obrigada!

Cara lá de cima,

venho, hoje, lhe agradecer por mais um ano. E QUE ano! Como bem sabes, há exatos 365 dias eu estava me submetendo a outros costumes, outra cultura, outro país. Eu realizava um sonho. O dia 1º foi todo dormindo, afinal, a madrugada foi celebrando! E não tinha quem não conseguia identificar a felicidade que eu sentia. Conheci lugares lindos, vivi experiências incríveis, venci alguns medos. Comemorei vinte-e-dois-anos comendo marshmellow numa fogueira sobre a neve e passei o carnaval assistindo Olimpíadas de Inverno.

Alguns meses depois, tomei uma das grandes decisões do ano. E eu precisei de coragem (“pra conseguir vencer...”). De muita coragem. Sim, eu tive medo. Mas não me arrependi. E como cada escolha é uma renúncia, abdiquei de muitas coisas por essa decisão e me preparei para sofrer reflexos talvez ainda não sentidos. Me fiz bem. Me dei uma chance.

E já que era um ano de experiências (e de coragem!), eu fui a uma festa que chamam, por aqui, de micareta. Vivi uma vida, digamos, bem boemia. Gritei “Juuuulio César”, “tomaaada aérea” e Jaaaaabulani durante a Copa do Mundo. Fiz prova sob os eflúvios evanescentes do processo destilatório da cana-de-açúcar e com vuvuzela pendurada no pescoço. Perdi as contas de quantas vezes fui ao Villa Country, ao Siga la Vaca, ao The Joy, ao Da Silva, ao Macfill. Perdi as contas de quantas vezes passei a madrugada vagando pela cidade e voltando pra casa quando as pessoas acordavam pra trabalhar. Quer dizer, quando eu voltava pra casa. Exagerei. Me permiti exagerar. Eu precisava. Eu precisava fugir.

Passada a primeira metade boemia do ano, eis que chegava a hora de, pelo menos tentar estudar e voltar a vida. A prova que eu tinha fingido que não existia durante 4 anos e meio batia a minha porta. Me matriculei no cursinho e prometi que aquele semestre seria diferente do anterior. E foi, mesmo. Fiz uma pausa pra me divertir sem temor nos Jogos Jurídicos, no último deles! E apesar da minha intimidade com o sono não ter deixado eu ir para o cursinho muitas vezes, fui lá e destruí a primeira fase. Fiquei surpresa, afinal, eu não fiz o que podia ter feito. Comemorei!

Claro que a Comissão de Formatura sempre esteve por aqui, mesmo em meio a tudo o que eu precisava cumprir. E foi o ano em que decisões importantíssimas precisaram ser tomadas em minutos, de trabalho forte, de planilhas... haha, de muitas planilhas e noites mal dormidas. Foi ano de brigas e desentendimentos que ultrapassaram o liame do que era a Comissão e do que era amizade. Foi ano de ouvir duras e severas críticas. Me decepcionei com pessoas e até mesmo com o meu (nosso) sonho. E como as minhas energias foram sugadas.

Não consegui lidar com inúmeras situações. Não consegui vencer obstáculos pessoais e decepcionei a mim mesma (e a outros) com a minha irresponsabilidade. Acho que perdi forças que não voltaram até hoje!

Não consegui controlar sentimentos como fazia há uns belos 4 anos. Tola, que achava que era possível. Me machuquei quando tudo o que eu não queria era, exatamente, me machucar. Me machuquei em dobro. Perdi o foco. Me decepcionei. Decepcionei. E vivi momentos tão bons que tento superar os ruins pra que eles fiquem aqui guardadinhos... pra que eu possa lembrar deles com um sorriso no rosto. E um apertiiiinho no coração.

Houve um tempo, em meio a OAB, a monografia e a falta de foco, que a gente teve que se desdobrar em muitos, muitos de nós mesmos pra fazer o que chamamos de o melhor Bota Fora de todos os tempos do mundo, o melhor Apitaço de todos os tempos do mundo, a melhor Cervejada de todos os tempos do mundo, e a melhor Formatura de todos os tempos do mundo. Eu surtei! E, se não faltasse tão pouquinho, acho que teria, mais uma vez, decepcionado a mim mesma e pedido pra sair. Passei dias sem agüentar ir para a faculdade. Desejei, com todas as forças, que tudo acabasse. Me perdi... essa não sou eu!

Tempos depois, concretizamos o melhor Bota Fora, o melhor Apitaço e a melhor Cervejada de todos os tempos do mundo. Destruí (por pouco) a OAB, virei (quase) Dotôra, fui aprovada na banca e, por uma ajuda daí de cima, “passei de ano”. Sofri perdas.

De repente, chegou o fim. Que triste, que nostálgico! De repente, chegou a realização de (mais) um sonho. Chegou dia 11/12 e tu-do pelo que eu tinha lutado durante três anos durou não mais que meia hora. E foi a meia hora mais feliz que eu já vivi até hoje! Foi uma “meia hora” carregada da alegria mais pura do mundo, de sensação de missão cumprida, de sentimento de vitória! Eu nunca vi TANTOS olhinhos queridos brilharem TANTO... e juntos!

Tudo (ou pelo menos a maioria) aquilo que tinha roubado minhas energias tinha chegado ao fim. Mais uma vez, eu precisei fugir. Embarquei rumo ao Rio de Janeiro pra fingir que a “meia hora” ainda não tinha acabado! E foi a vez de viver mais bons e deliciosos momentos. Mas, o embarque virou desembarque, de repente. Foi mais de leve, mas o balde de água fria chegou. E faz questão de ir embora lentamente.

Ele chegou pra me lembrar que tudo tinha mesmo acabado e que eu precisava aceitar algumas-várias coisas. Me senti sozinha, me senti sem rumo algum e mais uma vez fui irresponsável.

E todas as vezes que achei que não ia conseguir, que surtei, que fui irresponsável, que me machuquei, que , sei lá... em todos os momentos que vivi, a família que me permitiste escolher esteve lá comigo. Até porque, a família mesmo, por óbvio e abençoadamente sempre esteve por aqui.

Mas aqueles de quem sabes que falo, às vezes mais uns, às vezes mais outros, estavam lá. Em cada um deles me apoiei de alguma forma... e eles estavam lá pra mim, fazendo parte de mais um do combo apelidado de “os melhores anos de minha vida”. Me re-aproximei de pessoas queridas que não quero me distanciar. Dei força, também! E ajudei. Me decepcionei por, como sempre, me doar demais, esperar demais. Superei.

E eu agradeço por tudo, mas por absolutamente tudo isso. Até com o que eu não soube lidar. Até pelos meus erros. De tudo, certamente Você queria me ensinar alguma coisa. Algumas delas, confesso, é difícil de entender ou de aceitar. Mas todas eu precisava viver: eu precisava ter uma vida boemia... afinal, não é aos 30 que eu vou tê-la; eu precisava saber que têm coisas que a gente não pode controlar; eu precisava dar Adeus a todas as minhas irresponsabilidades, eu precisava aprender que o meu sucesso só depende de mim mesma; e eu precisava sentir que a nossa mente é, de fato, poderosa demais... e que com ela não se pode brincar.

Obrigada por um ano de saúde, de família, de felicidade, de vitórias e de TANTAS realizações. Não foi fácil, não. Mas Você me permitiu vivê-lo. E, depois de tantas lições, algumas que ainda vou tentando entender, me permito viver intensamente os próximos 365 dias que estão por vir. E que eles sejam maravilhosos!

Obrigada!



sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Vou deixar aqui o texto que fiz para a Comissão de Formatura.


Aqui vai, talvez, o meu último e-mail gigante...

Sei lá que dia foi. Só sei que foi em 2007. E só sei também que quando perguntaram: "quem quer se candidatar a fazer parte da Comissão de Formatura?", fui uma das primeiras a levantar a mão. E perdi para a terceira candidata, mais conhecida por Francine, por um voto... o meu mesmo!

Logo depois veio a notícia de que a Comissão poderia contar com mais um membro. E eu estava lá. Não sabia o que viria, mas sabia que eu faria o meu melhor... "só" pra que a minha festa tivesse um pouquinho de mim. E fosse, assim, a "melhor formatura de todos os tempos do mundo"!

Mudei de período. Mas continuaram a acreditar que eu seria capaz de representar uma Turma inteira, mesmo não estando mais lá...

E quantas não foram as reuniões? Quantas vezes nelas gritei, perdi a paciência e me entristeci? Quantos não foram os sábados de manhã, tarde ou noite? Quantos não foram os domingos? Quantas vezes discuti, por isso, com quem não queria discutir? Quantas não foram as madrugadas sem dormir? Quantas pessoas especiais não conheci?

E quantas não foram as festas de formatura? Nelas aprendi a reparar nos menores dos detalhes. Nos pés das mesas, nos lustres, nos lounges, nos arranjos, na comida, na bebida. Nelas aprendi o que queria pra "melhor formatura de todos os tempos do mundo" e o que, definitivamente, não queria. Acredito que, em todas elas, me diverti demais. Comi, bebi, dancei. E, melhor, com gente querida! Me emocionei ao pensar no meu dia... Quantos sonhos não vi sendo realizados?

E o meu dia, o nosso dia, meus queridos... CHEGOU!

Me peguei pensando se valia a pena me dedicar tanto e abdicar de tanta coisa por uma noite. Ouvi minha mãe dizendo que eu era uma louca desvairada por abraçar uma dessas. Mais uma. E acho que eu sou mesmo... Eu me descabelo, me viro em 350. E repito tudo se for necessário.

Mas aprendi, nesse tempo todo, que nem sempre eu consigo... como eu achava que conseguiria. Mas também aprendi que eu nunca vou deixar de tentar, por maiores que sejam os dissabores.

E é por isso que eu escrevo para vocês. Para dizer que, independentemente de como sair essa noite, por favor... lembrem-se que foi por ela que nós dedicamos horas, dias e anos das nossas vidas. Foi por ela que construímos um projeto intitulado de FESTA DOS SONHOS. Foi ela que vendemos para 314 formandos e para um número inestimável de familiares, amigos e pessoas queridas. Foi por ela que brigamos, sorrimos, discutimos e nos decepcionamos. Foi por ela que aprendemos a trabalhar EM GRUPO (e que grupo!). Ou apenas tentamos... rs. E é por ela que ouvimos os elogios mais saborosos. Por ela que suportamos as críticas mais duras, que por vezes nos magoam... exatamente por não sermos capazes de tudo. E por não recebermos, sempre, os melhores resultados... que não dependem de nós e nem podemos mudar.

Erramos. Acertamos. Aprendemos. Convivemos. Sorrimos. Nos decepcionamos. Enfrentamos. Aprendemos. Erramos... E não vai parar por aqui!

Sinceramente, não sei o que significa essa festa (e tudo o que ela quer dizer) para cada um de vocês. Sei para 3 ou 4. Pra mim, em especial, significa demais! Significa mais que alcançar uma vitória profissional... significa superação, significa um sonho alcançado... e significa o sucesso da luta dos meus pais. E da minha dedicação.

E A GENTE CONSEGUIU, PO**AAAAAAAAAAAAAA! E pra hoje eu JURO que não quero saber se o lounge é elevado ou não. Se o painel custou X ou Y. Se os pontos de foto acumulam ou não mais pessoas. CHEGA! Hoje EU SOU FORMANDA! E eu quero curtir uma das melhores noites da minha vida.

E vocês sabem quem fez ela acontecer? É... foi a gente! Da pior, ou da melhor forma... fomos nós!

PARABÉNS, Comissão. Nossa batalha chegou ao fim (ou nem tanto, rs).

Me desculpem por cada decisão equivocada, por cada mal criação, por cada falta de educação. Obrigada por cada aprendizado e por cada um dos sorrisos que eu vou ver hoje no rosto de, aproximadamente, 7000 pessoas. Eu não tenho mala pronta, mas precisava dizer isso a vocês...

Até mais tarde!

=)